Belém: Florestas, cultura e gastronomia típica.

Faz tempo que a capital paraense deixou ser a “porta de entrada da Amazônia” para ser um destino espetacular por si só, uma cidade obrigatória para quem quer entender o norte do Brasil e a vida na floresta. Além de ser um destino vibrante, com cenas gastronômica e cultural de relevância nacional, Belém é trampolim para Ilha de Marajó, sua vizinha de frente, e Alter do Chão, na boca do rio Tapajós. A cidade recebe ainda, em outubro, o Círio de Nazaré, a maior festa religiosa do Brasil com mais de duas milhões de pessoas (a população local não chega a 1.5 milhão). Em qualquer época do ano, porém, é na beira da Baía do Guajará, com o movimento e os aromas do mercado Ver-o-Peso, que Belém mostra a sua face.

Comer

Remanso do Bosque: O menu degustação de dez pratos e o serviço à la carte do restaurante capitaneado pelo chef Thiago Castanho e seu irmão Felipe catapultaram o Remanso à lista do melhores restaurantes da América do Sul em 2016. Ocupam a 44ª colocação graças a pratos como peixe assado na folha de bananeira, servido com tucupi, e dadinho de tapioca com pirarucu defumado e melaço de cupuaçu. A algumas quadras, o Remanso do Peixe serve comida mais tradicional, como a moqueca de filhote cozido no molho de tucupi, camarão-rosa, jambu e pimentões.

Comprar

Ver-o-Peso: Com 390 anos de história de comércio nesse ponto, o mercado (com estrutura de ferro trazida da Europa no fim do século 19), é uma ótima introdução à atmosfera paraense. Nas centenas de barracas, é possível encontrar açaí in natura, pescados fresquíssimos, frutas regionais, raízes, temperos, ervas e comidas típicas – como a maniçoba –, além de artesanatos e óleos medicinais que curam de unha encravada a amores malfadados. Quer ver o desembarque de peixes e açaí? Basta chegar lá pelas 3h30 da manhã. Para ir sem pressa – e voltar sempre.

Boulevard Shopping: O Boulevard Shopping é um dos principais centros de consumo de alto padrão do Estado. Com cerca de 300 lojas, seu mix conta com marcas de luxo como Le Lis Blanc, H. Stern e Swarovski.

Sair

Balcão do Remanso: Desde abril, o restaurante Remanso do Bosque tem um bar de ambiente descontraído e comidinhas rápidas. Na carta de drinks, assinada pelo premiado barman Kennedy Nascimento, há preciosidades como o Tacacachaça (com bourbon, cachaça de jambu, maracujá e limão) e o Tiki do Remanso (com cachaça, rum, licor de castanha e casca de cacau).

Casa do Fauno: Ocupando um antigo prédio no bairro do Reduto, a Casa do Fauno é um misto de livraria, brechó, café, bar e restaurante. Às quintas e sextas, a música rola ao vivo com apresentações de grupos de jazz, blues e MPB em um quintal cujo palco privilegia trabalhos autorais e artistas locais.

Gotazkaen: Localizado no bairro de Campina, é um dos endereços mais badalados da cidade. Os clientes se espalham pelo antigo casarão reformado e também nas mesinhas na calçada e na pracinha em frente. É o lugar para quem gosta de curtir a noite com uma cerveja na mão e um bom hambúrguer no prato.

Amazon Beer: Instalada na Estação das Docas, a Amazon Beer é pioneira em incorporar ingredientes amazônicos às cervejas – os oito rótulos são produzidos aqui. Vale pedir a encorpada Stout Açaí ou a refrescante Witbier Taperebá para desfrutar o visual do pôr do sol sobre o rio Guajará.

Fotos: Victor Affaro e Valdemir Cunha

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Seis lugares para comidinhas típicas em Belém Tacacá, tapioca, sorvete de bacuri, esfirra de pato com jambu e mais

A culinária paraense é das mais complexas, ricas, gostosas e interessantes do Brasil. E é bom saber que, fora dos restaurantes-referência da cidade (Remanso do Bosque, Manjar das Graças), também há points para comidinhas inesquecíveis.

Portinha

É só uma portinha mesmo a entrada dessa lanchonete do centro histórico, ao lado da Catedral da Sé. Passando a fila de sempre, chega-se ao balcão lotado de salgados recém-saídos do forno: esfirra de pato com jambu, embrulhadinho de pirarucu com jambu e queijo meia cura, folheado de pupunha. Para beber, o suco de sapotilha é especialidade da casa.

Cairu

Se tiver fila (e vai ter), enfrente com doçura. A sorveteria, com mais de 50 anos de história e várias unidades na cidade, é um dos orgulhos de Belém, e a fama se justifica de sobra. Além de frutas amazônicas (bacuri, cupuaçu, graviola), há sabores bem brasileiros, como goiabada com queijo e banana caramelada.

Tacacá da Dona Maria

Servido em uma cuia, o tacacá é um caldo que leva tucupi (suco extraído da raiz da mandioca-brava, temperos variados, goma de tapioca, camarão seco e jambu. Cada um tem o seu preferido em Belém, mas a maior torcida é pelo Tacacá do Colégio de Nazaré (bem pertinho da Igreja de Nazaré), mais conhecido como Tacacá da Dona Maria. Dona Maria faleceu há alguns anos, mas a qualidade se manteve sob a batuta de seu filho.

Bar do Gugu

O boteco pé-sujo com mesas de plástico chefiado por Saturdino de Almeida, conhecido como Seu Gugu, faz bonito nos petiscos e arremata prêmios como o do festival Comida di Buteco. São boas pedidas a dourada frita com molho de maionese o bolinho de pirarucu com bacon e o camarão-rosa empanado na farinha de tapioca. Nos fins de semana, costuma ter MPB, samba e carimbó ao vivo.

Tapioquinha da Amazônia (Ver-o-Peso)

Dentro da loucura do Mercado Ver-o-Peso, o boxe é procurado pela tapioca fininha com manteiga, que fica ainda melhor se for recheada com o típico queijo de búfala do Marajó. Vale provar também os sucos frescos de frutas típicas, como cajá, graviola e açaí.

Quatro lugares para comer na Ilha do Combu, em Belém Pedacinho da Amazônia perto da cidade, Combu é cheia de delícias regionais

Alheia à paisagem urbana de Belém, a Ilha do Combu traz a Floresta Amazônica para pertinho da cidade: com uma travessia de apenas 15 minutos pelo Rio Guamá, você chega a essa porção de terra forrada pela selva onde vivem famílias ribeirinhas – repare nas casas decoradas com grafites coloridos do projeto Street River. Pegue os barquinhos que saem de um pequeno porto na praça Princesa Isabel, em Belém, e curta um dia todo de trilha no mato, banho de rio e, como não poderia deixar de ser nesse estado de gastronomia tão rica, comilança. Dica: programe-se para tomar o último barco para voltar à cidade para dar tempo de ver o pôr do sol maravilhoso no rio.

Saldosa Maloca

Escreve-se assim, com “L” mesmo, o nome do restaurante mais tradicional da ilha, instalado em um deque sobre palafitas na água. Quem comanda o local é Prazeres Quaresma dos Santos, conhecida como Neneca, nascida na ilha. O abre-alas do almoço pode ser o caranguejo toc-toc, que vem do rio. Depois, vá de tambaqui com arroz e vinagrete ou de filé de pescada amarela feito na chapa, com arroz de jambu e camarão-rosa.

Chalé da Ilha

Macaxeira frita, caldeirada de filhote com pirão, camarão-rosa ao molho branco e galinha caipira no tucupi estão no cardápio de comida caseira do restaurante. A estrutura ali convida a uma tarde toda de curtição: tem redes múltiplas, deque com rampa e boias para nadar no rio e, para os pequenos, salão de jogos, balanços e piscina infantil.

Casa Combu

Opção mais gourmet, tem pratos assinados pela chef Solange Saboia, que já figurou no programa global Estrelas cozinhando junto ao afamado chef Tiago Castanho. Vá em grupo para poder se sentar nas gostosas mesas sob árvores e provar um pouquinho de cada coisa do cardápio: pata de caranguejo empanada, bolinho de maniçoba, caldeirada de tucupi com jambu, tempurá de camarão e molho preto de tucupi. Eventualmente há eventos especiais, como festas ao pôr do sol com DJs convidados.

Filha do Combu

Dona Nena, que trabalha com o cultivo sustentável e orgânico de cacau na ilha, passou a vender o chocolate que sua família produzia para o consumo próprio em 2006. Deu certo: a marca Filha do Combu nasceu, cresceu e conquistou chefs como Tiago Castanho (ele, de novo) e Alex Atala. E sua casa virou atração turística: ali ela conta sobre a produção e tem uma lojinha com produtos variados. Agende o passeio pelo e-mail combuorganico@gmail.com.

Uma visita à maravilhosa Ilha de Marajó (PA) Saindo da capital paraense, você pode conhecer a maior ilha fluviomarinha do mundo

A Ilha de Marajó é um destino remoto e parado no tempo na foz no Rio Amazonas, às margens do Atlântico. Um passeio por ali oferece um mergulho na exuberante e vagarosa paisagem amazônica, com seus búfalos, lindos pássaros e manguezais que desembocam em praias.

Para chegar dá um trabalhinho: é preciso sair do Terminal Hidroviário de Belém com a Banav – escolha os catamarãs, que fazem a viagem até o porto de Camará em 1 hora e 15 minutos. Lá é preciso pegar uma van a Salvaterra (meia hora) e depois fazer a travessia de Salvaterra a Soure, conhecida como a capital de Marajó, num barquinho chamado rabeta.

O ritmo de Marajó, onde só os motoristas de mototáxi se importam com o relógio, é um convite a desacelerar. Por isso fique uma ou duas noites em algumas das pousadas simples de Soure, como o Casarão da Amazônia e a Pousada Marajoara. Para uma experiência mais imersiva, durma na Paracauary Ecopousada, na beira do rio.

Soure é uma surpresa boa, com mangueiras colossais, avenidas largas e restaurantezinhos despretensiosos, como o Ilha Bela e o Patú-Anú (Travessa 14, 2). O Delícias da Nalva é um clássico da cidade, com seu banquete de pratos típicos. A especialidade local é o filé marajoara (de carne de búfalo) coberto com o famoso queijo local, o de leite de búfala. Aliás, você pode fazer uma visita à Fazenda Mironga (Rod. Soure-Pesqueiro, km 4) para prová-lo na fonte – a marca foi a primeira a ser regulamentada como produto artesanal certificado do Pará.

O programa máster de Soure é visitar a São Jerônimo. A fazenda do senhor Brito, uma verdadeira celebridade local, já foi de cenário de novela a palco de uma ópera. Ali é oferecido um tour de duas horas que começa com um passeio de canoa por um igarapé, onde é possível avistar vários pássaros, inclusive o todo-poderoso guará, que costuma aparecer no fim de tarde. Depois, segue por uma praia deserta arrasa-quarteirão. Em seguida, vem a melhor parte, que é uma caminhada por um vistoso manguezal sob uma passarela de madeira. Para voltar à sede, a regra é montar no lombo de um búfalo.

A praia mais próxima de Soure é a da Barra Velha. O acesso é feito por uma passarela que atravessa um outro manguezal lindo de morrer. Eis a sua vantagem em relação à concorrente, a do Pesqueiro, a 15 minutos do centro de moto (combinar o horário da volta é importante, já que os celulares praticamente não funcionam na praia). Vastíssima e amparada por dunas suaves, é o lugar perfeito para acompanhar o vaivém da maré. Na baixa, é preciso caminhar um bocado até chegar ao rio, que se mistura ao mar. Mas várias piscininhas naturais cristalinas pelo caminho imploram por um pit stop. Quando a maré “lança”, como dizem os locais, o cenário fica ainda mais espetacular, com um braço de rio (ou será mar?) invadindo a praia, perfeito para nadar.

Outro passeio bacana de Marajó é a vila histórica de Joanes. Lá você pode visitar um centro de artesanato com produtos locais, como a famosa cerâmica marajoara, e ver uma igrejinha azul e branca do século 17 e algumas ruínas jesuíticas. Depois, dá para descansar na bela Praia do Joanes, com águas mornas e ondas suaves, e se refugiar na Peixaria do Sr. Sales para o almoço: o filé de peixe com tucupi e jambu vai muito bem.

Quando ir

O melhor período para os passeios acontece entre junho e novembro. Nessa época, o turista pode aproveitar para participar do Círio de Nazaré, o maior evento da capital, realizado em outubro.

Como chegar

VOOS

Os voos chegam ao aeroporto internacional de Belém Val-de-Can, localizado a aproximadamente 12 km do centro de Belém.

Hotéis em Belém

Grand Mercure Belém:

localizado na avenida Nazaré, a alguns minutos a pé de atrações como o Theatro da Paz, o hotel dispõe de sauna e piscina em sua área de lazer. A Suíte Presidencial, além de ofurô, tem uma piscina externa com boa vista para a cidade. É o 5 estrelas da capital.

Radisson Hotel:

um dos hotéis mais bem avaliados nos sites de reserva, o Radisson conta com sala de jogos e videogames, piscina externa com hidromassagem, lounge e sauna seca. Fica no bairro de Nazaré, a alguns passos da Basílica de Nazaré e de bares e pubs que movimentam a vida noturna de Belém.

Golden Tulip:

próximo ao agitado Boulevard Shopping Center, no nobre bairro de Umarizal, o Golden Tulip tem quartos decorados com madeira escura e paredes de tons pastéis. Seu espaço gastronômico mistura os sabores da culinária paraense com a tradicional cozinha italiana, mas o ambiente preferido dos hóspedes costuma ser a piscina ao ar livre em sua cobertura.

Princesa Louçã Hotel:

situado no bairro de Campina, a pouco mais de um quilômetro do mercado Ver-o-peso, o hotel tem 361 quartos: muitos oferecem vista privilegiada da Baía do Guajará e da Praça da República e suas enormes mangueiras. Seu restaurante, o Açaí, serve pratos típicos como o aclamado pato no tucupi.

Dicas de viagem

Estação das Docas:

inaugurado em 2000, o complexo turístico foi construído para dar um novo significado ao antigo porto fluvial. Em três grandes armazéns reformados de ferro inglês, há restaurantes, bares, lojas (biojoias, roupas e artesanato local), cinema, teatro e espaços para apresentações de música e dança. Daqui saem inúmeros passeios de barco pela Baía do Guajará.

Projeto Circular:

a cada dois meses, o Projeto Circular promove atividades culturais em mais de 30 espaços (galerias, museus, ateliês, cafés, bares, centros culturais e coletivos artísticos) instalados na Cidade Velha, em Campina e no Reduto. São os bairros mais antigos de Belém. Criada em 2013, a iniciativa também ocupa áreas públicas dessas regiões – tudo em nome do resgate do Centro Histórico da capital paraense.

Kamara Kó:

fundada em 1991 como uma agência de fotografia, a galeria expõe obras de artistas visuais e fotógrafos paraenses. Entre seus residentes, estão artistas que trabalham a fotografia expandida para outras linguagens (desenhos, video mapping e registro de performances), como Alberto Bitar e Mariano Klautau Filho.

Mangal das Garças:

às margens do rio Guamá, próximo ao encontro com a baía do Guarajá, sempre há um trânsito intenso de garças e guarás. É bem ali que fica o parque ecológico que preserva flora e da fauna da floresta amazônica. As quatro atrações do lugar costumam agradar a família inteira: viveiro de pássaros, borboletário, Memorial Amazônico da Navegação (com barcos antigos) e o Farol de Belém: um mirante de 47 metros com uma ótima vista de Belém.

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